Post

O único projeto do Sul Catarinense aprovado pela FAPESC: a história por trás da Inspyra

A i-KOA Inovação & Transformação está entre os 10 projetos selecionados em Santa Catarina na Chamada Pública FAPESC nº 19/2025 (Inovação Social, Negócios Sociais e de Impacto) e é a única representante do Sul Catarinense.

Um reconhecimento que vai além e gera responsabilidade 

Estar entre os 10 únicos projetos aprovados no Estado de Santa Catarina já seria motivo de celebração. Ser o único representante do Sul Catarinense nessa lista acrescenta outra camada de significado, mas também de muita responsabilidade.

O valor real desse reconhecimento, porém, não está na exclusividade. Está no propósito que nos trouxe até aqui. Uma aprovação em edital público de inovação social não valida apenas um projeto: ela cria compromisso com todo o estado de Santa Catarina que confiou na proposta.

Nenhuma inovação e transformação nasce da noite para o dia

Essa conquista é fruto de uma trajetória longa, construída dentro e fora da sala de aula.

São mais de 30 anos de vivência em educação, inovação, empreendedorismo e gestão, com atuação em mais de 25 instituições no Brasil e projetos internacionais em Angola e em outros países. A esse percurso somam-se mais de 27 anos de atuação direta no terceiro setor, incluindo a liderança no Movimento Nacional ODS SC, da ONU, e a participação em diversas causas voluntárias.

Nada disso foi planejado para o edital. Foi vivido antes de ser escrito, e é justamente essa base que dá consistência à proposta. Um projeto de inovação social sem experiência de campo é uma boa ideia. Com experiência de campo, é uma solução possível, com maior probabilidade de ser bem sucedida.

A dor que se transformou em oportunidade

Ao longo de décadas, dentro das instituições, uma realidade se repetiu: vimos jovens, especialmente em situação de vulnerabilidade, potenciais talentos, perderem a motivação diante de um ensino desconectado da própria realidade.

Do outro lado, professores sobrecarregados e sem ferramentas práticas para preparar esses alunos para a vida, para o mercado de trabalho e para o mundo. Era uma perda em duas direções: perdia o jovem, que não descobria o próprio potencial, e perdia a sociedade, que deixava de formar quem poderia resolver seus problemas.

Por muito tempo, essa foi uma leitura de campo, sustentada por observação e convivência. Havia consenso sobre o problema. Hoje existem números estatísticos que comprovam os desafios que precisamos superar.

O levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o CIEE, divulgado em junho de 2026, mostra um país com 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos. Desses, 13,9 milhões estão ocupados. Outros 6,2 milhões não estudam nem trabalham, os chamados nem-nem, que representam 18,7% da população jovem e cresceram 12,7% em relação ao fim de 2025, quando somavam 5,5 milhões.

Entre os que trabalham, 84% ocupam funções que exigem pouca qualificação. Apenas 2,15 milhões atuam em áreas técnicas ou em cargos que exigem ensino superior. Cerca de 7,8 milhões recebem até um salário mínimo e meio. E entre os adolescentes de 14 a 17 anos, 52% permanecem menos de um ano na mesma função. O resultado é um ciclo em que o jovem entra no mercado, mas não fica tempo suficiente para transformar experiência em carreira.

E escola não forma para empreender

O GEM (Global Entrepreneurship Monitor) mede a educação empreendedora na escola como condição do seu modelo de ecossistema. O retrato é duro. Esse é o critério mais fraco em 33 das 53 economias analisadas. Apenas 3 economias de renda média e 7 de alta renda atingem suficiência.

O Brasil marca 2,7 de 10 na educação empreendedora escolar e 4,7 na pós-escolar. Angola por exemplo registra 2,2 e 3,3. A Argentina tem 2,6 e 5,0. Três realidades distintas, um mesmo diagnóstico: o sistema escolar não se prepara para o empreendedorismo. A formação universitária melhora o resultado, o que revela onde está o potencial de escalada, mas a base segue comprometida.

É claro que existem iniciativas muito relevantes no Brasil e outros países, mas elas precisam ser fortalecidas e  potencializadas.

A formação não acompanha o século XXI

Um Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI)  revela abismo de produtividade frente a países desenvolvidos e propõe agenda integrada para reverter apagão de talentos. O Brasil está entre os últimos na formação de profissionais STEM (sigla em inglês) Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática . As deficiências na aprendizagem se somam à baixa formação de profissionais em áreas estratégicas para uma economia mais tecnológica. No Ensino Superior, esse gargalo aparece especialmente na formação em  segundo o Education GPS 2025, com apenas 16,2% dos concluintes do ensino superior formados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, contra média de 24,0% na OCDE, bem abaixo de outros países da OCDE. Ou seja, o país forma muito em gestão e direito e pouco em tecnologia e em exatas, exatamente a competência que a transformação econômica em curso exige.

Enquanto isso, o relógio demográfico corre. Projeção do IBGE aponta que, em 2029, o Brasil terá mais idosos que crianças: 40 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, contra 39 milhões de 0 a 14 anos. Em 2070, serão 75 milhões de idosos e 24 milhões de crianças. O pico de crianças foi em 1991, com 51 milhões. A janela em que o país tem um contingente grande de jovens para formar e desenvolver está se fechando, e não aproveitá-la vai custar caro.

Esse é um problema estruturante, precisamos não apenas formar, mas descobrir e desenvolver talentos para esse futuro desafiador.

O modelo tradicional de ensino, criado em para atender séculos passados, perde a cada dia a capacidade de engajar estudantes e de prepará-los para o mundo que os espera do lado de fora dos muros das escolas e universidades. E tem muita dificuldade de alinhar a educação às demandas do mercado de trabalho, da sociedade e dos desafios do século XXI.

Diagnosticar isso muitos fazem, mas poucos se comprometem em construir algo inovador e viável, não apenas financeiramente, mas técnica e funcionalmente, aderente ao dia a dia real de uma escola e IES que já operam no limite da capacidade.

Foi esse o problema relevante para o futuro que a i-KOA Inovação & Transformação escolheu ajudar a enfrentar. E a resposta tem nome: Inspyra.

O projeto TransformAÇÃO.com

No final de 2025, o projeto TransformAÇÃO.com que deu origem à Inspyra foi reconhecido e aprovado no edital de Inovação Social da FAPESC nº 19/2025, do Programa de Apoio à Inovação Social: Negócios Sociais ou Negócios de Impacto, do Governo do Estado de Santa Catarina.

Idealizado pelo professor Fabrício Attanásio na i-KOA, o projeto TransformAÇÃO.com foi concebido para contribuir com a raiz do problema, e não os sintomas.

A tese era direta e pouco convencional: em vez de criar mais uma camada sobre uma escola já saturada, integrar a sua rotina e ajudar a transformar a escola ou a instituição de ensino em um Hub de Inovação Social, capaz de unir e potencializar as iniciativas de educação, inclusão e empreendedorismo já existentes, orientadas ao desenvolvimento sustentável, e de criar novas frentes onde ainda há lacunas.

Foi essa a essência da proposta que a Chamada Pública FAPESC nº 19/2025 reconheceu, e que sustentou a transição de projeto para produto.

Nasce a Inspyra: de um projeto aprovado ao ecossistema vivo

Uma missão não se sustenta apenas no papel. Para que a proposta não ficasse apenas no documento aprovado, houve investimento pesado em contrapartida, tecnologia e, sobretudo, inteligência humana.

Desse movimento impulsionado pelo projeto TransformAÇÃO.com nasceu a Inspyra, como spin-off da i-KOA: uma plataforma inteligente e humanizada que reúne uma série de módulos e funcionalidades que trabalham juntas.

As metodologias ativas hands-on (mão na massa) colocam o estudante diante de problemas reais, em vez de conteúdo abstrato, potencializando o desenvolvimento de competências do futuro, principalmente as competências socioemocionais ou comportamentais tão relevantes no século XXI, mas também as técnicas e digitais, acompanhando toda a jornada coletiva e individual, ajudando assim a prepará-los para vida, o mercado de trabalho e para o mundo.

A Inteligência Artificial entra como apoio ao professor e à escola, e no acompanhamento personalizado do aluno. A gamificação permite verificar o progresso visível, com engajamento sustentado ao longo do tempo e que também ajuda o professor e a escola. O propósito principal, é descobrir e desenvolver talentos a partir das escolas, criando uma rede, e não uma ferramenta isolada.

Pessoas no centro

A Inspyra nasceu de uma convicção que acreditamos desde o início: tecnologia e inovação são feitas por pessoas para ampliar o potencial de outras pessoas.

Foi por isso que criamos Lumi, Kaê e San. Eles atuam como avatares digitais, incentivandode forma lúdica o engajamento para a resolução prática de problemas e conduzem a jornada de gamificação, engajando do nível Observador ao nível Transformador.

A escolha por personagens responde a uma decisão estratégica, porque um aluno que se reconhece na jornada permanece nela, enquanto um aluno que apenas cumpre etapas abandona. E há um efeito prático para o professor, igualmente concreto: menos peso burocrático e mais tempo para ensinar, usar metodologias ativas e acompanhar.

O que essa história ensina sobre educação e inovação social

Três aprendizados se destacam neste percurso e potencializam resultados para além da educação.

Inovação social séria começa pela dor real, não pela tecnologia. O ponto de partida da Inspyra foi a perda de motivação dos jovens e a sobrecarga dos professores, não a vontade de usar IA. A tecnologia entrou depois, como meio, e foi escolhida pelo que ajuda a resolver em sala de aula e fora dela.

Reconhecimento público não é o fim do caminho, é o começo da entrega. Ser aprovado em edital em um dos estados mais inovadores do Brasil cria compromisso com os territórios e exige contrapartida concreta, não apenas narrativa. Foi o que nos levou a investir na construção do produto/plataforma em vez de deixá-lo no papel do projeto aprovado.

A transformação potencializa território a partir de uma rede forte. Quando escola, jovens, instituições de ensino superior, empresas, governo e organizações sociais se unem para resolver problemas reais e aproveitar oportunidades da própria cidade, todo o ecossistema cresce. Nenhuma escola atua sozinha, ela conta com muitos apoiadores, pais, empresas e instituições, e quando ela conecta, estrutura e fortalece essa rede. Todos os envolvidos se engajam e se comprometem mais, criando um verdadeiro ecossistema a partir da escola.

Defendemos que desde o início do projeto toda escola tem o potencial de se transformar em um Hub de Inovação Social, para capacitar e empoderar jovens – em especial em situação de vulnerabilidade social – e fazer com que educadores e gestores se tornem agentes de transformação.

Uma conquista do Sul de SC para transformar comunidades e organizações

É esse o desenho que a Inspyra propõe: inteligência e desenvolvimento humano no centro, tecnologia como apoio e transformação e impacto local como resultado.

Da educação, para a inovação social e à inovação aberta.

Se a sua escola, instituição de ensino superior, secretaria de educação, organização social, município ou empresa busca estratégias sólidas para descobrir e desenvolver protagonismo e novos talentos, gerar soluções e impacto real para os problemas da comunidade e organizações, vale conhecer nossa solução inovadora em detalhe.

Fale com a nossa equipe e leve a Inspyra para a sua instituição.

Compartilhar:

Facebook
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *